Peguei, joguei, babei, e só depois eu fiz os reviews. É simplesmente demais. Claro que tem seus defeitos, afinal perfeição não existe nem mesmo nos
videogames. Exemplos? Ambientes pré-renderizados são o maior pecado que um jogo poderia cometer, sobretudo quando falamos de PlayStation 3 e Xbox 360. As lutas corpo a corpo também são um balde de água fria, afinal a fluidez prometida pela Rockstar foi traduzida aqui como uma coreografia slow motion de algum filme B de ação.
Mas acreditem: é só isso que o jogo tem de defeitos. Você assume o papel de Niko Belic, um ex-soldado eslavo que acabou preso. Posteriormente solto, recebe a proposta de seu primo Roman para viver e trabalhar com ele em Liberty City, EUA. Mas o sonho americano prometido por Roman realmente é um sonho. O homem que lhe prometeu conquistas, riquezas e mulheres na verdade está afundado em dívidas e é constantemente perseguido por credores. Isso fará com que você mande a moral às favas e ganhe a vida matando, roubando, extorquindo, espancando, explodindo, aniquilando e muitos “andos” feios que eu poderia enunciar aqui.
GTA IV elevou a física humana à um nível tão real, a ponto de rachaduras aparecerem na parede em que você bate o carro, ou as pessoas se cobrirem e saírem correndo por causa de uma chuva imprevista.
Além disso, a rede de relacionamentos de Niko se mostr
a um show à parte: através do celular, você mantém seus amigos muito perto de você, desenvolvendo suas relações de forma tão intensa que lhe rende prêmios maravilhosos: o jamaicano Little Jacob (absolutamente incompreensível até mesmo com as legendas) oferece armas com saborosos descontos. Roman Belic dá carona por toda a cidade com sua frota de táxis, e assim por diante.
Não bastasse isso, o celular também vai salvar sua pele na hora de namorar (é, elas estão muito a fim, e nem fazem aquele jogo duro de encher a barrinha de relação). Marque um encontro, e depois de dois ou três…você entra na casa da moça (sabe o que significa isso, não?). Mas nem tudo são flores com a telefonia móvel da reinventada Liberty City: você pode muito bem receber uma ligação quando estiver tentando derrubar um helicóptero do exército ou no meio de um tiroteio dentro de um reduto de traficantes, e ignorar essas ligações é um ato prefeitamente permissível, mas as conseqüências podem ser desagradáveis. Por exemplo: alguém liga no meio de um tiroteio com a polícia. Você ignora. Pouco depois, a mesma pessoa pode ligar, pedindo para você pegá-lo no hospital, pois a sua “não-resposta” fez com que ele levasse umas cacetadas ou então um ou dois tiros. E o pedido de carona não será educado.
Falando na polícia, elas deixaram de ser estupidamente … estúpidas, e agora procuram resolver TODO O CRIME em Liberty City, sejam eles cometidos por você ou não. Bela inovação
essa, já que você pode chamar os homens da lei para limpar uma baguncinha que você causou ou livrar a sua pele de alguém que esteja lhe perseguindo. Claro que você não poderá ser visto, senão sobra para você também. É notável também que os meninos do distintivo dourado variam nas suas ações de acordo com o local em que você se encontra. Em bairros chiques, com gente de terno e gravata, eles são mais amigáveis do que em bairros sujos e guetos como Bonham, onde eles atiram primeiro, perguntam depois e ainda batem no defunto por ter espirrado sangue no chão mal pavimentado.
A interação de Niko com o ambiente também é monstruosamente milimétrica: dá para você procurar cobertura de fogo pesado, caminhando pela parede para achar a melho
r posição de disparo. Se você ver que vai passar por uma janela, Niko se abaixa sozinho, sem nenhum comando. A mira foi melhorada e responde melhor aos coices das armas (leia atirar rapidamente bagunça sua mira e, conseqüentemente, a sua vida).
E os minigames? Ah, os minigames. Tem boliche, sinuca, clubes de strip tease, shows de cabaré e um sem número de opções de diversão para que você faça aí bem mais do que as 80 horas diretas de jogo prometidas pela Rockstar.
Gran Theft Auto IV é um jogo para colecionadores, sem dúvida. O mais interessante agora é esperar até o meio do ano para vê-lo em confronto direto com Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots.
ÔôôôôÔÔ vidinha gamer, viu?